A cefaleia em salvas (“cluster headache”) é uma das formas de cefaleias mais severas, sendo um exemplo típico de doença periódica. O termo salva (“cluster”) reconhece a periodicidade como uma das principais características da doença. A cefaleia em salvas é reconhecida há mais de 350 anos. Tem sido conhecida por muitos nomes, nomeadamente cefaleia de Horton nos Estados Unidos da América e nevralgia migrainosa no Reino Unido. A duração das crises varia de 15 minutos a 3 horas, ocorrendo desde uma vez em cada 2 dias até 8 vezes por dia, de acordo com os critérios da ICHD-II.
A cefaleia em salvas afecta cerca de um adulto em cada mil. A idade média de início é entre os 20 e os 40 anos, embora tenham sido descritos casos com início antes dos 12 e após os 65 anos. É mais frequente nos homens, numa proporção de 4:1, segundo a maioria dos estudos.
O que provoca a cefaleia em salvas?
A etiologia é desconhecida, embora se admita a existência de factores genéticos, já que alguns estudos mostraram um risco aumentado cerca de 5 a 8 vezes nos familiares de 1º grau dos doentes com cefaleia em salvas, embora até ao presente não tenham sido identificados genes até ao presente.
Sintomatologia da crise de cefaleia em salvas
Crises de dor forte, estritamente unilateral, na região orbitária, supra-orbitária, temporal ou em qualquer combinação dessas áreas, durando de 15 a 180 minutos e ocorrendo desde uma vez em cada 2 dias até 8 vezes por dia. As crises associam-se a um ou mais dos seguintes aspectos, todos ipsilaterais à dor: hiperémia conjuntival, lacrimejo, congestão nasal, rinorreia, sudorese na região frontal e na face, miose, ptose e edema palpebral. Durante as crises, a maioria dos doentes fica inquieto ou agitado, ao contrário dos doentes com enxaqueca que tendem a ficar imóveis.
Cefaleia em Salvas - Tratamento
As crises deverão ser tratadas o mais precocemente possível. Estão também disponíveis tratamentos profilácticos, e a cirurgia pode ser uma opção a considerar nos casos extremos, resistentes à terapêutica médica. Se suspeita desta patologia consulte o seu médico ou farmacêutico.
Terapêutica aguda
Já que a dor atinge a sua máxima intensidade rapidamente, é necessário utilizar medicação com início rápido de acção. O tratamento de eleição é o oxigénio inalado e o sumatriptano.
Oxigénio
O oxigénio inalado é eficaz na maioria dos casos. Deverá ser administrado a 100%, a um ritmo de 7 a 10 litros/minuto, até 15 minutos, através de máscara facial. A não observância destes parâmetros, conduz frequentemente a insucesso terapêutico.
Sumatriptano
O sumatriptano, agonista selectivo dos receptores 5-HT1 da serotonina, por via subcutânea é eficaz, com início de acção rápido e sem benefício com doses superiores a 6mg12. Quando utilizado por via oral não é eficaz, embora a formulação nasal tenha mostrado eficácia num estudo recente13. O sumatriptano só pode ser injectado duas vezes em 24 horas, o que limita a sua utilização nos doentes que sofrem de várias crises por dia. Além disso está contra-indicado em doentes com doença coronária ou hipertensão arterial não controlada.